As Doenças na Perspectiva Espírita​

As Doenças na Perspectiva Espírita

No conhecimento do perispírito está a chave de inúmeros problemas até hoje insolúveis.
(Allan Kardec, em “O Livro dos Médiuns” – pág. 61. FEB, 23ª edição)
Neste artigo, procuraremos aguçar o leitor, apontando como as doenças podem ser compreendidas, à luz da Doutrina Espírita, por meio das relações entre as Lei Divinas, a consciência, o pensamento, a vontade, a conduta moral, o princípio vital, o perispírito e o corpo físico.
Nessa perspectiva, o Espiritismo promove a integração racional entre corpo e alma, evidenciando que a saúde integral depende da harmonia entre esses dois elementos essenciais da vida. Porém, antes de mais nada (1), lembremo-nos de que a vida plena resulta da tríplice união da matéria, do fluido ou princípio vital e da energia espiritual.
Tendo em Jesus nosso guia e modelo, não podemos esquecer que, por disposição das Leis Divinas, infinitamente sábias e misericordiosas, passamos em nossa existência por tudo aquilo que necessitamos vivenciar; e, muitas vezes, o que interpretamos como sofrimento revela-se na forma de providência, assim como aquilo que enxergamos como punição pode representar um resgate bem-sucedido. (2)’
A Justiça Divina concede-nos o livre-arbítrio, por meio do qual somos livres para escolher nossas condutas, assumindo, inevitavelmente, a responsabilidade por seus resultados. Na perfeição desse sistema, sustentado pela solidariedade entre as existências, estamos sempre colhendo um ontem que não nos condena eternamente, ao mesmo tempo em que plantamos o amanhã. Livre das imperfeições que relativizam ou maculam a justiça humana, esse sistema de débitos e créditos do destino opera sem falhas, ainda que não possamos perceber plenamente suas engrenagens.
Segundo Emmanuel (3), a mente é o campo de nossa consciência desperta, situada em determinada faixa evolutiva. A partir dessa reflexão, Ele nos convida a compreender que a mente humana possui diversos departamentos, como os do desejo, da inteligência, da imaginação e da memória, sobre os quais atua, em posição superior, o gabinete da vontade: uma gerência esclarecida e vigilante que governa todos os setores da ação mental. Podemos, assim, reconhecer na vontade o motor do nosso destino e, consequentemente, a chave da nossa saúde.
De acordo com a Doutrina Espírita, o corpo físico é sustentado pelo corpo espiritual; portanto, a influência exercida sobre este último é decisiva para aquele, no qual a mente se manifesta (4). Diante disso, e à luz da didática de Emmanuel, cabe-nos assegurar que essa gerência, a vontade, seja verdadeiramente esclarecida e vigilante.
Quando a saúde se vê abalada por uma moléstia, não estamos propriamente diante de um castigo, mas das consequências da incúria decorrente do mau uso do livre-arbítrio, nesta ou em outras encarnações. Nesse contexto, as enfermidades, resultantes de nossos equívocos, desempenham importante papel na regeneração das almas.
Diante disso, cabe à vontade, esclarecida pela razão e iluminada pelo estudo, a escolha de condutas que preservem tudo aquilo que recebemos como empréstimo divino: o corpo, a saúde e os recursos colocados ao nosso alcance. Para utilizá-los adequadamente, a serviço de nossa evolução, fazem-se necessárias a parcimônia e a disciplina.
Como nos ensina Emmanuel, em “O Consolador” (5), “o corpo físico, excetuadas certas alterações impostas pela prova ou tarefa a realizar, é uma exteriorização aproximada do corpo perispiritual”. O perispírito conserva a memória de todas as existências, de modo que tudo aquilo que realizamos repercute nele, especialmente em sua função de modelador do corpo físico, refletindo essas impressões no organismo em formação e contribuindo para a concretização das expiações por nós mesmos atraídas.
Considerando que a Lei de Deus está inscrita em nossas consciências (Questão 621, LE), podemos afirmar, de forma simples, que, ao nos afastarmos dessa Lei, a consciência nos adverte, de modo que essa marca íntima se imprime no perispírito, que, por sua vez, tende a refletir a correspondente desarmonia no corpo físico, em futura encarnação.
É justamente nessa dinâmica entre consciência, perispírito e corpo que se revela não ser possível considerar um corpo são quando a alma se encontra adoecida, o que tem levado a Medicina Espírita a ser frequentemente procurada por aqueles que já não encontram respostas na Medicina convencional (8); contudo, essa busca, não constitui solução universal para todos os males.
Nem mesmo Jesus, cujas obras, segundo João, não caberiam nos livros do mundo, curou a todos. Ao contrário, recomendava aos beneficiados que não voltassem a errar, indicando a relação entre enfermidade e conduta. Nesse sentido, como apoio a esse processo de reforma íntima, a Doutrina Espírita, em sua condição de Cristianismo redivivo, auxilia na compreensão mais pura do Evangelho do Cristo, expressão da Lei de Deus para a Humanidade.
Quando bem conduzido, esse processo conduz a melhores escolhas e, consequentemente, à construção de um futuro mais harmonioso. Assim, Jesus, como também a Medicina espírita, atua sobre enfermidades cujos fatores de causa e efeito já não se encontram em curso.
Conforme ensina André Luiz, por meio de Clarêncio (mentor espiritual de elevada hierarquia e Ministro do Auxílio na colônia espiritual Nosso Lar) na obra “Entre a Terra e o Céu” (9), “um dia, o homem ensinará ao homem, consoante as instruções do Divino Médico, que a cura de todos os males reside nele próprio”.
Cientes de que a grande maioria das enfermidades humanas tem origem no psiquismo, no pensamento, na mente e na vontade, enquanto a medicina avança na compreensão do Espírito, cabe a nós buscarmos o esclarecimento da vontade, orientando-nos pelo roteiro deixado por Jesus, consubstanciado no Evangelho e iluminado pela Doutrina Espírita.
Que recorramos sempre à prece, não para modificar as circunstâncias que criamos e precisamos enfrentar, mas para nos fortalecer, tornando-nos capazes de ser aquilo que os desafios da vida nos convidam a ser.S
Por Gabriel Maia

Referência Bibliográfica
NÁUFEL, José. Do ABC ao infinito. v. 1. 
REIS, Jorge. Nas trilhas de André Luiz: assuntos relevantes, temas curiosos, casos interessantes.
EMMANUEL (Espírito); XAVIER, Francisco Cândido. Pensamento e vida
LUIZ, André (Espírito); XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu
EMMANUEL (Espírito); XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.
NÁUFEL, José. Do ABC ao infinito. v. 2.
NÁUFEL, José. Do ABC ao infinito. v. 2.
LUIZ, André (Espírito); XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu.