Histórico do MOFRA
GRUPO DA FRATERNIDADE ESPÍRITA IRMÃ SCHEILLA

1946, julho - Primeiros sinais do Movimento da Fraternidade. Após um reunião no Centro Espírita Oriente, em Belo Horizonte, Américo Rafael Raniéri e Jair Soares assentaram-se à calçada da Praça Duque de Caxias e, Raniéri, percebendo a presença de algumas entidades espirituais, colocou-se em posição vibratória susceptível de entrar em sintonia com o mundo extracorpóreo.

Aproximou-se o espírito Altino e revelou-lhes então o aparecimento em futuro próximo de um "movimento" de caráter nacional que muito contribuiria para o progresso espiritual do Brasil.


1948 - Os espíritos voltaram a sinalizar a respeito do "movimento" a nascer nas montanhas mineiras. Tendo como testemunhas Jair Soares e Raniéri, o médium Amaury Guerra passou a expressar-se em fluente francês, sendo responsável pelos informes o espírito Victor Hugo.

Falou de reunião ocorrida no plano espiritual onde numerosas entidades se propuseram ao renascimento na Terra, a fim de auxiliarem na eclosão de um movimento capaz de despertar mais intensamente a chama da fraternidade dentro do Movimento Espírita do Brasil.


1948 - 23/07 - Raniéri mudou-se para o Rio de Janeiro por motivos profissionais e de lá continuou a receber informações sobre os futuros acontecimentos em Belo Horizonte, através do Irmão Altino.

1948 - 29/09 - Chico Xavier psicografa no Centro Espírita Oriente, em Belo Horizonte, a belíssima poesia de Castro Alves, intitulada "Apelo à Mocidade Espírita", sendo a mesma o marco inaugural do Movimento da Fraternidade.

1949, fevereiro A família Soares, a qual pertencia Jair Soares, conquanto espírita, caminhava entre desolada e triste porque a esposa de Jair, Dª. Elvira Soares, vitimada por câncer pulmonar e desenganada pelos médicos terrenos, esperava a morte física a brevíssimo tempo.

1949 - 10/02 - De madrugada, Jair Soares é chamado ao portão de sua residência. Chovia torrencialmente. Indo atender, defrontou-se com a presença de três visitantes.

Um deles se identificou como Francisco Peixoto Lins (Peixotinho) que constrangido, escusou-se por estar ali em hora avançada, conseqüência do atraso do trem que lhes trouxera do Rio de Janeiro.

Apresentou em seguida os companheiros: Inácio Rodrigues da Silva (Marechal) e a jovem Laura. Eles vinham pedir hospedagem por indicação de Raniéri, que afirmava ser o lar da família Soares uma verdadeira pensão da fraternidade. Falando a respeito da viagem, Peixotinho esclareceu que, na manhã seguinte, partiriam para Pedro Leopoldo, para se entrevistar com Chico Xavier.

Dona Elvira, mais conhecida como Ló, encontrava-se já recolhida em seu aposento, por isso, o próprio Jair preparou os leitos para os inesperados visitantes. De manhã, foram apresentados a Ló, que dirigiu-se à cozinha para preparar o café.

Os visitantes e o anfitrião conversaram, acomodados em torno da mesa da copa, quando Peixotinho acompanhado com os olhos, os movimentos da senhora fez singular meneio com a cabeça.

Jair percebendo, interrogou-o, ao que ele respondeu:

- Ah! Agora percebi o porquê da nossa presença em seu lar. Visitar Chico foi mero pretexto da Espiritualidade para que estivéssemos aqui.

Vejo o nobre Espírito Scheilla, com o rosto próximo ao de sua companheira e dizendo-me:

"Essa é uma irmã muito querida do meu coração, precisando de tratamento, Jesus vai permitir que a curemos. Irmã Scheilla pede-me para não ir a Pedro Leopoldo e realizar uma reunião mediúnica neste lar. Tal fato sensibilizou o casal Soares devido o doloroso drama familiar.

Assim foi que aconteceu, em 11/02/1949, inesquecível reunião de ectoplasmia, com notáveis fenômenos de efeito físico.

Ló curou-se e desencarnou 22 anos depois.

A residência da família Soares tornou-se o centro da atenções de grande parte da comunidade espírita brasileira em decorrência dos extraordinários fenômenos que ali passaram a ocorrer. Espíritos que se manifestaram na época: Joseph Gleber, Scheilla, Fritz, Palminha, José Grosso, André Luiz, Garcez, Sads, Maria Alice e tantos outros.

Tais fenômenos ocorreram até o final de 1949 e menos extensivos daí por diante, por determinação da própria Espiritualidade, pois, importava doravante não somente a materialização do espíritos, mas notadamente as conseqüências da presença deles por múltiplos processos e de forma a despertar-nos para um modo diferente de viver.


1949 - 29/09 - Primeira Tarefa Socorrista

Na reunião de ectoplasmia, na residência da família Soares aconteceu um fato inusitado. O Espírito Scheilla, materializado, destacou alguns dos presentes para fazer uma visita a um enfermo (Washington Dias). Naquele tempo o Espiritismo era pouco conhecido e não era habitual atender a enfermos em casa.

Estava assim realizada a primeira Tarefa Socorrista por parte daqueles que acalentavam o desejo de se moverem fraternalmente no mundo.


1949 - 16/10 - Instalação do Primeiro Grupo da Fraternidade, o Grupo da Fraternidade "Irmã Scheilla". Foram também traçados, nesta data, pela Espiritualidade as normas para nortearem o funcionamento do mesmo.

Estas normas somente tiveram sua relevância reconhecida em março/1983, por ocasião da elaboração do Estatuto Padrão da OSCAL - Organização Social-Cristã André Luiz, no seu artigo 14 com a titulação: Programa de Trabalho Permanente - PTP, destacando os seguintes itens:

  1. Ensino da Doutrina Espírita e do Evangelho;
  2. Assistência Social Espírita;
  3. Tarefa de Passes;
  4. Formação de Ambientes Espiritualizantes.

Estes pontos constituem os objetivos a serem observados e vividos no Grupo da Fraternidade e, sem a interação entre os mesmos, o grupo não se afirma verdadeiramente como "de fraternidade".

A formação de ambientes espiritualizantes em todas as atividades grupais da Instituição, com ramificação para os lares, locais de trabalho ou de convívio social, de maneira a expressar os lídimos sentimentos da fraternidade cristã!

(Extraído do livro: Movimento da Fraternidade de Célio Alan Kardec de Oliveira)